
Custo de contratação atualizado em 2026: quanto realmente custa um funcionário que ganha um salário mínimo?

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Todo início de ano traz duas mudanças que impactam diretamente empresas e trabalhadores: o reajuste do salário mínimo e a atualização das faixas de contribuição do INSS. E, na prática, isso mexe em algo que muitos empresários ainda subestimam: o custo real de manter um colaborador registrado.
Muita gente olha apenas para o valor do salário na carteira e conclui: “meu funcionário custa R$ 1.621,00 por mês”. Só que esse é apenas o começo. Quando colocamos na conta as provisões trabalhistas e os encargos obrigatórios, o valor final pode ficar bem acima do salário, e essa diferença muda bastante conforme o regime tributário da empresa.
Neste artigo, vamos mostrar uma simulação completa, considerando um funcionário que recebe um salário mínimo de R$ 1.621,00, comparando dois cenários: Lucro Real/Lucro Presumido e Simples Nacional.
Antes de falar de impostos e encargos, é importante entender o conceito de provisões. Provisão é um valor que a empresa deveria separar mensalmente para cobrir pagamentos futuros que são obrigatórios, mas não acontecem todo mês.
Para um funcionário que ganha salário mínimo (R$ 1.621,00), a empresa precisa considerar:
a) Férias (1/12)
Como o colaborador tem direito a 30 dias de férias a cada 12 meses, o custo precisa ser diluído ao longo do ano.
b) 1/3 de férias (1/12 do adicional)
Além das férias, existe o adicional constitucional de 1/3.
c) 13º salário (1/12)
O 13º também é um direito anual, então o custo deve ser provisionado mensalmente.
d) Projeção de aviso prévio
Em uma visão conservadora de gestão, muitas empresas também consideram a projeção de aviso prévio, porque desligamentos fazem parte da realidade e podem gerar impacto significativo no caixa.
Somando salário e reflexos, o valor projetado na simulação fica em:
Salário + provisões/reflexos: R$ 2.071,28
Esse número é muito importante porque mostra o “salário real” do ponto de vista do empregador: não é só o que se paga hoje, mas também o que precisa estar reservado para cumprir obrigações futuras.
Depois de calcular salário e reflexos, entram os encargos, que variam de acordo com o enquadramento da empresa.
Aqui existem dois blocos principais:
No Lucro Real e no Lucro Presumido, além do FGTS, a empresa normalmente tem contribuição previdenciária patronal e outras incidências, como:
Na simulação apresentada, esse conjunto totaliza 28,8%, resultando em:
Importante: esse valor é fora alimentação, vale-transporte e outros benefícios. Ou seja, dependendo do pacote oferecido pela empresa, o custo real pode ser ainda maior.
Quando comparamos com o salário de R$ 1.621,00:
Esse é um ponto crucial: muitas empresas calculam errado porque acham que “78,89%” é o custo total. Não. Esse é o percentual de acréscimo acima do salário. O custo total é quase 1,8 vez o salário.

Custo de contratação atualizado em 2026: quanto realmente custa um funcionário que ganha um salário mínimo?
No Simples Nacional, a lógica de provisões e reflexos continua exatamente a mesma:
Portanto, o subtotal continua:
A diferença aparece nos encargos. Em muitos casos, não existe o recolhimento do INSS patronal “por fora”, porque a contribuição previdenciária patronal (CPP) é recolhida dentro do DAS do Simples. (Há exceções, como atividades no Anexo IV, então é sempre importante validar o enquadramento correto.)
Na simulação:
Comparando com o salário:
Ou seja, o custo fica 42,09% acima do salário
Para ter dimensão do peso disso no planejamento financeiro, vale olhar o cenário anual.
Na simulação, o salário anual foi tratado como:
Lucro Real/Presumido
Simples Nacional
Ou seja, a empresa pode ter uma diferença anual de mais de R$ 7 mil por colaborador dependendo do regime, mesmo pagando exatamente o mesmo salário.
Outro ponto que costuma gerar surpresa é a diferença entre o que a empresa paga e o que o colaborador leva para casa.
Na simulação, o colaborador, no ano:
E a soma do que vai para o governo (encargos da empresa + descontos do empregado) ficou em:
Essa diferença aparece principalmente porque, no Lucro Real/Presumido, há contribuição patronal fora do DAS, além de outros componentes.

Custo de contratação atualizado em 2026: quanto realmente custa um funcionário que ganha um salário mínimo?
Mesmo usando salário mínimo, o custo pode mudar por fatores como:
Por isso, simulações como essa não são apenas curiosidade: são ferramentas de gestão. Elas ajudam a empresa a precificar corretamente, definir capacidade de contratação e evitar surpresas.
A contratação formal tem custos que vão muito além do salário. No cenário simulado, um colaborador que recebe R$ 1.621,00 pode gerar:
E, no ano, o custo total pode chegar a R$ 34.797,48, mesmo quando o colaborador não vê esse valor integralmente no bolso.
A boa gestão começa quando o empresário tem esses números claros e usa isso para tomar decisões com previsibilidade.
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