IBS e CBS no Simples Nacional
Consultoria Tributária
IBS e CBS no Simples Nacional: por dentro ou por fora?
IBS e CBS no Simples Nacional: por dentro ou por fora?

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IBS e CBS no Simples Nacional: por dentro ou por fora? 

A Reforma Tributária vai trazer uma decisão importante para as empresas optantes pelo Simples Nacional: manter o IBS e a CBS dentro da guia única do regime ou recolher esses tributos separadamente, pelo regime regular.

Para o primeiro semestre de 2027, essa escolha deverá ser realizada entre 1º e 30 de setembro de 2026, por meio do Portal do Simples Nacional. A opção produzirá efeitos entre janeiro e junho de 2027. Caso a empresa não opte pelo regime regular, o IBS e a CBS permanecerão dentro da guia única do Simples Nacional nesse período.

Quais serão as opções?

A empresa continuará enquadrada no Simples Nacional, mas poderá escolher entre duas formas de recolhimento.

IBS e CBS dentro do Simples Nacional

Nesse modelo, os novos tributos continuarão incluídos no DAS, juntamente com os demais impostos abrangidos pelo regime.

A principal vantagem tende a ser a manutenção de uma rotina tributária mais simples, com recolhimento concentrado em uma única guia.

Por outro lado, o crédito de IBS e CBS gerado para clientes que estejam no regime regular ficará limitado ao valor efetivamente recolhido pela empresa dentro do Simples Nacional.

IBS e CBS por fora do Simples Nacional

Na segunda alternativa, também chamada informalmente de Simples Nacional híbrido, a empresa continuará no Simples para os demais tributos, mas passará a apurar e recolher IBS e CBS separadamente, seguindo as regras do regime regular.

Nesse formato, será necessário controlar débitos e créditos dos novos tributos, emitir documentos fiscais corretamente e realizar o recolhimento em guias separadas.

Embora esse modelo aumente a complexidade operacional, ele pode ser mais interessante para empresas que vendem para outras pessoas jurídicas, especialmente quando os clientes valorizam a geração de créditos tributários.

Por que essa decisão é tão importante?

A escolha não deve ser baseada apenas na comparação entre alíquotas.

Ela poderá afetar diretamente:

  • a formação do preço de venda;
  • a margem de lucro;
  • o custo efetivo das compras;
  • o aproveitamento de créditos;
  • o fluxo de caixa;
  • a competitividade da empresa;
  • a relação comercial com clientes e fornecedores;
  • a necessidade de adaptação dos sistemas de gestão e emissão fiscal.

Uma empresa que vende principalmente para consumidores finais pode chegar a uma conclusão diferente daquela que atende grandes empresas no regime regular.

Da mesma forma, negócios com muitas aquisições que geram créditos poderão ter resultados diferentes daqueles com poucos custos e despesas creditáveis.

Não existe uma resposta única

Recolher IBS e CBS por fora não será automaticamente melhor. Da mesma maneira, manter os tributos dentro do DAS não será necessariamente a opção mais econômica.

Cada empresa precisará analisar suas próprias características, considerando o setor de atuação, o perfil dos clientes, a estrutura de custos, a margem praticada, o volume de compras e a capacidade operacional para atender às novas obrigações.

Também será necessário simular como cada alternativa poderá alterar os preços e o resultado financeiro do negócio.

A decisão é do empresário

O contador terá um papel essencial na elaboração dos cálculos, na apresentação dos cenários e na explicação dos impactos tributários.

No entanto, a escolha envolve questões comerciais e estratégicas que pertencem ao empresário. Por isso, ela deve ser tomada conjuntamente, com informações claras e projeções que permitam comparar os dois modelos.

A opção realizada em setembro de 2026 valerá para os primeiros seis meses de 2027. Portanto, deixar a análise para a última hora pode comprometer a qualidade da decisão.

Prepare sua empresa com antecedência

Antes do período de opção, será importante levantar informações como:

  • faturamento previsto;
  • principais clientes e respectivos regimes tributários;
  • compras e despesas que poderão gerar créditos;
  • impacto dos tributos na precificação;
  • necessidade de capital de giro;
  • capacidade dos sistemas para apuração e emissão fiscal.

Mais do que uma escolha tributária, decidir entre IBS e CBS por dentro ou por fora do Simples Nacional será uma decisão de negócio.

Uma análise bem estruturada poderá evitar perda de margem, aumento inesperado de custos e redução da competitividade da empresa no novo cenário da Reforma Tributária.

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